Não sou um cara rico, mas tenho minha vida financeira equilibrada. Porém nem sempre foi assim, durante a faculdade passei 8 meses desempregado, e esse foi um período complicado. Os primeiros 3 meses consegui pagar a faculdade com o seguro desemprego, mas quando este acabou tive que ficar inadimplente. Eu estava no início de um novo semestre e fiquei sem pagar os próximos 5 meses, praticamente um semestre inteiro. Por sorte consegui voltar ao mercado de trabalho no fim desse semestre, o que foi minha salvação, pois só poderia me matricular para o próximo semestre negociando a dívida do semestre anterior e pagando a primeira mensalidade do atual.
O salário do novo emprego mal custeava o valor da mensalidade, tive que diminuir as matérias cursadas para o novo semestre a fim de a mensalidade caber no meu bolso. A partir daí passei a pagar o semestre anterior e a dever o semestre corrente. Como trabalha 6 horas no novo emprego, logo consegui outro trabalho, de 4 horas, no período da manhã. Minha vida virou uma confusão, 2 empregos de dia, 1 faculdade a noite e no fim de semana eu trabalha aos sábados e ainda tinha que fazer os trabalhos da faculdade. Mas tinha que fazer isso pois precisava de dinheiro para saldar minha dívida, eu não sabia até quando poderia ficar com um semestre sempre atrasado.
O problema é que com o passar do tempo percebi que o dinheiro que estava ganhando a mais sumia mês a dentro. Comecei a me perguntar para onde estava indo o bendito? Porque não estava sobrando já que eu tinha aumentado meus ganhos? Pois é meus amigos, como disse no post anterior, mais dinheiro não é sinônimo de mais equilíbrio financeiro. Mais dinheiro só melhora sua vida se vc já tiver uma vida financeira equilibrada e não era esse o meu caso na época.
A partir daí passei a acompanhar melhor meus gastos, nada muito complicado, fiz uma planilha financeira (mas poderia ser um caderninho de anotações) e totalizei todos os meus gastos fixos mensais, que não eram muitos, em contra partida com os dois salários que tinha. Não foi surpresa quando percebi que não eram eles (os gastos fixos mensais) que estavam levando meu dinheiro e sim os gastos esporádicos feitos no dia a dia, compras feitas com dinheiro e principalmente no cartão de crédito (lanches, cervejinhas, roupas e etc).
A solução foi traçar algumas metas para organizar a bagunça:
- parei de usar o cartão de crédito (inclusive para emprestar à amigos e conhecidos), tomei muito cuidado para não aumentar meus gastos fixos, precisava de um celular a conta mas fiquei com um a cartão, pois naquele momento existia algo mais importante necessitando do meu dinheiro;
- compras parceladas no cartão de crédito só eram realizadas após uma verificação de que nos próximos meses (após pagar as contas fixas e guardar o dinheiro da dívida - meta 3) havia dinheiro sobrando, além de uma reflexão, para ter certeza de que eu precisava mesmo fazer aquela compra;
- fixei um valor a ser depositado na poupança (a fim de diminuir a dívida com a faculdade) e passei a gastar apenas o que sobrava e a vista (dinheiro ou debito). Geralmente as pessoas guardam o que sobra, só que resolvi ser radical, iria guardar primeiro e gastar o que sobrasse. Já tinha reduzido um custo fixo, quando diminui as matérias cursadas na faculdade, não tinha mais onde diminuir, por isso precisei seguir essa meta a risca.
Parece até simples, mas me enrolei um bocado até seguir as metas fielmente. Parar de usar o cartão no dia a dia e gastar apenas o dinheiro que se têm é simples na teoria, na prática nem tanto. Sempre que o dinheiro acaba agente pensa "poxa, posso comprar isso no cartão e só pagar no mês que vem", ou então "a festa hoje vai ser massa, vou usar o cartão só hoje". O problema é que se eu uso o cartão hoje tiro dinheiro do mês que vem. Infelizmente, não se pode ter tudo e eu tinha que pagar minha dívida, ou sairia da faculdade, então tratei de analisar bem cada gasto que ia fazer. Se no próximo mês vai ter uma viagem a trabalho e não terei muito tempo livre para sair com a galera, por exemplo, então posso me dar ao luxo de usar um pouco o cartão esse mês. Mas normalmente só gastava o dinheiro que tinha, nada de gastar o que não tem. A medida que ia atingindo as metas 1 e 2, guardar o dinheiro para amortizar a dívida ficou mais fácil (meta 3).
Dessa forma a dívida foi sendo paga, pouco a pouco, e consegui me formar sem dever nada. Percebam que o fato de trabalhar muito, 2 empregos, e estudar bastante foram importantíssimos, mas não dariam resultado se eu não tivesse organizado minha vida financeira. Aprendi que é preciso saber escolher bem, se compro isso não vou poder comprar aquilo, ou então para comprar isso do que posso abrir mão.
O cartão de crédito é um instrumento poderoso (falarei disso em outro post) e deve ser utilizado, porém requer organização. Hoje tudo que compro é no cartão de crédito, e me beneficio de suas vantagens, porém na época foi ótima a escolha que fiz de não utiliza-ló, pois não tinha organização financeira para tal. Se vc é uma pessoa que não sabe quanto pode gastar no mês corrente e no próximo não recomendo que utilize um cartão de crédito, até porque seus juros são um dos mais altos. Mas se vc já tem sua vida financeira organizada, use e abuse dele. Nos próximos post vou apresentar-lhes boas práticas no uso do seu cartão de crédito que poderão lhe proporcionar ganho de capital e até vantagens oferecidas pelas operadoras de cartão.
Um abraço!
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